Endometriose e gravidez

endometriose e gravidez

Endometriose e gravidez

Por Dr. Artur Dzik

Sintomas da Endometriose:

O diagnóstico clínico da endometriose passa pela observação de um sofrimento menstrual com cólicas e/ou dores diversas, sempre nesse período, mas apenas quando esse sofrimento é incapacitante para a mulher, a ponto de fazer com que ela perca dias de trabalho, ou não possa simplesmente executar suas tarefas cotidianas.

Algumas pacientes chegam a relatar que procuram até o serviço de pronto atendimento para conseguir algum alívio dessas dores. Outro sinal de alerta para o diagnóstico clínico da endometriose é a dispareunia, ou seja, dor na relação sexual. Casos mais raros são a presença de sangue na evacuação ou na urina, sempre dentro do período menstrual.

Etapas do diagnóstico:

Aqui é preciso lembrar da definição da doença: a endometriose é o crescimento anormal do tecido do endométrio (que reveste o útero) fora da cavidade uterina. Por isso, uma das recomendações para o controle da endometriose é parar de menstruar, seja através do uso de contraceptivos ou simplesmente engravidando e amamentando.

Portanto, através do toque, no exame físico ginecológico, também é possível detectar massas ou tumores que podem corroborar o diagnóstico clínico. A ultrassonografia pélvica transvaginal praticamente fecha o diagnóstico da endometriose. Em alguns casos é necessário complementar com a ressonância nuclear magnética.

Videolaparoscopia na endometriose:

É então que vem a videolaparoscopia, que também é um método diagnóstico, mas principalmente terapêutico, e, principalmente também, para os casos de endometriomas, que se formam nos ovários. Assim, os focos da endometriose são retirados pela cirurgia laparoscópica.

A grande questão aqui é que, como essa é uma doença sistêmica, novos focos da endometriose podem surgir alguns meses depois, novamente. E outra videolaparoscopia pode ser realizada. No entanto, não há mais espaço para isso. Apenas uma cirurgia videolaparoscópica deve ser realizada, e bem realizada, nessas pacientes. Porque, a cada vez que se retiram os tecidos doentes, por esse método, também vêm junto os tecidos saudáveis. E o resultado, altamente indesejável, é uma séria diminuição da reserva ovariana dessas pacientes.

Mulheres que se submetem a mais de uma videolaparoscopia

Ou seja, mulheres com endometriose que se submetem a mais de uma videolaparoscopia têm uma grande probabilidade de enfrentar o problema que mais dificulta o sucesso numa FIV (Fertilização in vitro), a queda, ou até mesmo a ausência, da reserva de óvulos.

Outra razão para a dificuldade de engravidar, na mulher com endometriose, é o fator tubo peritoneal, que pode ser resumido, em uma linguagem simples, como a incapacidade das trompas de colocar os óvulos no lugar e da maneira certos.

Endometriose e gravidez:

A solução para a gravidez de uma mulher com endometriose é mesmo a FIV, ou seja, o bebê de proveta. Por esse método, se vai buscar o óvulo que não chega (ou que está ausente, e nesse caso, é preciso recorrer ao banco de óvulos) e o coloca em contato com o esperma, em laboratório. Daí se obtém os embriões que são implantados no útero, para que a gravidez se desenvolva naturalmente.

Grávida e, depois, amamentando, a mulher não menstrua e não menstruando não existe a endometriose. Passado esse período, para o controle da doença, basta suspender a menstruação, preferencialmente pela colocação de um DIU ou por outra forma de contraceptivo.

Fonte: Dr. Artur Dzik 

  • Presidente da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana – SBRH – 2010 / 2012
  • Representante Brasileiro da IFFS (International Federation of Fertility Societies) – SCIENTIFIC COMMITTEE 2010 / 2013
  • Diretor do Serviço de Esterilidade Conjugal do Hospital Pérola Byngton São Paulo
  • Especialização em Reprodução Humana no Hôpital Antoine Béclère, Paris – França – 1993 / 1994
  • Médico especialista em Ginecologia e Obstetrícia pelo Hospital das Clínicas da FMUSP
  • Mestre em Ginecologia pela FMUSP – 1995
  • Doutor em Ginecologia pela FMUSP – 2000
  • Título de especialista pela FEBRASGO – 1991
  • Idiomas: Inglês e Francês

Doutorado:

  • Doutorado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo – 2000.
  • Tema: Estudo da variação da Inibina B como fator prognóstico da intensidade da resposta ovariana à hiperestimulação controlada nos programas de fertilização in vitro (FIV).

 Mestrado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo – 1996

  • Tema: Avaliação Simultânea dos parâmetros FSH basal e idade como fator prognóstico da
    intensidade de resposta à hiperestimulação ovariana controlada num programa de Fertilização In Vitro e Transferência de Embriões.